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La Galeria Nara Roesler, en São Paulo, presenta Handmade (Hecho a mano), la más reciente exposición de Vik Muniz, artista brasileño que transforma radicalmente nuestra comprensión de la imagen mediante el uso de cambios de escala, manipulación fotográfica y materiales inesperados –desde el polvo y el chocolate hasta granos de arena y basura industrial- para explorar la naturaleza de la cognición visual.

En esta, su tercera exposición en la galería, curada por Luisa Duarte, Muniz regresa con renovada fuerza a los procedimientos que ya había trabajado en el pasado, investigando de forma aguda y sintética la fina línea entre realidad y representación, entre el objeto original y su copia. La muestra reúne más de 70 piezas en las que deja por fuera cualquier recurso narrativo y hace explícito el esqueleto procesual del trabajo, al tiempo que juega con las certezas del espectador.

“Siempre funciona en ambos sentidos. Lo que se espera sea una foto no lo es, y lo que se espera que sea un objeto es una imagen fotográfica”, bromea Muniz. “En una época en que todo es reproducible, casi no existe la diferencia entre la obra y la imagen de la obra”, añade.

Durante el proceso de investigación de su catálogo razonado, lanzado recientemente, Vik Muniz se dio cuenta de cómo había dejado de lado un procedimiento recurrente en su producción de comienzos de carrera, cuando estaba menos involucrado con el campo de la fotografía: la manipulación de la superficie fotográfica después de la realización de la imagen. En esta muestra retoma este tipo de estrategias, rehaciendo y complementando las fotografías. El resultado es una especie de antología, formada por proyectos antiguos y recientes. “Es como un menú de ideas que he usado, un compendio de estrategias expuesto de forma muy simple”, resume Vik Muniz.

El público no verá en Handmade obras realizadas a partir de imágenes conocidas, ni referencias a materiales mundanos, aspectos comunes de la obra del artista. Vik Muniz alude aquí a la gran tradición del arte abstracto, destilando para eso sus fórmulas básicas en la creación de maneras inusitadas de meditar sobre la imagen y el objeto, sobre la ambigüedad de los sentidos y la importancia de la ilusión. Handmade traza la preocupación constante del artista por trascender las dimensiones simbólicas de la imagen.

Un ejemplo de esa investigación que no termina con el acto de fotografiar es Dos clavos (1987-2016), cuya primera versión pertenece a la colección del Museo de Arte Moderno (MoMA) de Nueva York. La composición muestra una hoja de papel sujetada por dos clavos: uno real, otro fotografiado, generando una imagen tan ambigua que resulta imposible identificar las diferencias a través de una reproducción fotográfica. “Es necesario estar delante de la obra. Y sin embargo, se tendrá dudas”, dice Muniz.

Además de la relación paradójica entre la imagen y el objeto, y el uso recurrente de estrategias ilusionistas -“La ilusión es un requisito fundamental de todo tipo de lenguaje”, dice- estos trabajos flirtean con el arte conceptual y establecen un intenso diálogo con el arte abstracto, cinético y concreto y, sobretodo -de acuerdo con el artista- con las teorías de la Gestalt, más específicamente en los campos de la psicología y la ciencia.

“La exposición muestra un artista diferente, y que soy yo al mismo tiempo”, concluye.

VIK MUNIZ: HANDMADE

A Galeria Nara Roesler | São Paulo tem o prazer de anunciar Handmade, a nova exposição de Vik Muniz. Na terceira exposição do artista na galeria com curadoria de Luisa Duarte, ele retoma com força renovada caminhos e procedimentos que já havia trilhado no passado, investigando de forma aguda e sintética a tênue fronteira entre realidade e representação, entre o objeto original e sua cópia. São mais de 70 peças, nas quais deixa de lado qualquer recurso narrativo e torna explícito o esqueleto processual do trabalho, ao mesmo tempo em que brinca com as certezas do espectador.

“Sempre funciona das duas maneiras. O que você espera ser uma foto não é e o que você espera que seja um objeto é uma imagem fotográfica”, ironiza Vik. “Em uma época em que tudo é reprodutível, a diferença entre a obra e a imagem da obra quase não existe”, acrescenta.

Durante o processo de pesquisa de seu catálogo raisonné, lançado recentemente, Vik se deu conta de como havia deixado de lado um procedimento recorrente em sua produção no início de sua carreira, quando tinha menos envolvimento com o campo da fotografia: a manipulação da superfície fotográfica após a realização da imagem. Retomou então tais estratégias, refazendo e complementando as fotografias. O resultado é uma espécie de antologia, formada por projetos antigos e recentes, bastante estimulante em tempos de Bienal. “É como um cardápio das ideias que já usei, um compêndio de estratégias expostas de formas muito simples”, sintetiza Vik, que no momento também se dedica à cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, da qual ele é um dos diretores.

O público não verá em Handmade obras realizadas a partir de imagens conhecidas, tampouco referências a materiais mundanos – aspectos comuns no trabalho do artista. Vik alude aqui à vasta tradição da arte abstrata, destilando para isso suas fórmulas básicas na criação de maneiras inusitadas de meditar sobre a imagem e o objeto, sobre a ambiguidade dos sentidos e a importância da ilusão. Handmade traça a constante preocupação do artista em transcender as dimensões simbólicas da imagem.

Um exemplo de investigação que não se encerra com o ato de fotografar é Two Nails(1987/2016), uma espécie de trabalho-chave em Handmade e cuja primeira versão pertence à coleção do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. Extremamente enxuta, a composição mostra uma folha de papel presa por dois pregos: um real, o outro fotografado, gerando um quadro tão ambíguo que se torna impossível identificar as diferenças por meio de uma reprodução fotográfica. “É necessário estar diante da obra. E mesmo assim você terá dúvidas”, ressalta Vik.

Além da paradoxal relação entre imagem e objeto e do recorrente uso de estratégias ilusionistas – “A ilusão é um requisito fundamental de todo tipo de linguagem”, diz –, esses trabalhos flertam com a arte conceitual e estabelecem um intenso diálogo com a arte abstrata, cinética e concreta. Sobretudo, segundo Vik, pelo interesse comum em relação às teorias da Gestalt, mais especificamente nos campos da psicologia e da ciência.

Repetição, ritmo, profundidade, espaçamento, uso das cores primárias ou gradações sutis de cinza e preto estão entre as questões caras à abstração e que compõem o alfabeto com o qual Vik lida em Handmade. Mas ele vai além disso. Lança mão do vocabulário construtivo para mais uma vez colocar em questão o estatuto da imagem no mundo contemporâneo. “A exposição mostra um artista diferente e que sou eu ao mesmo tempo”, conclui.

VIK MUNIZ: HANDMADE

Galeria Nara Roesler, São Paulo

Hasta el 5 de noviembre de 2016

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