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En los años ochenta, cuando el mundo era sacudido por la crisis del SIDA, el artista brasileño José Leonilson (1957-1993) adecuó el discurso político de esta epidemia en una reflexión metafísica. Su universo mítico se construyó a partir de una narrativa existencial alrededor de su propia situación, y esta intimidad atemporal resuena aún más en el contexto de una enfermedad caracterizada por la pérdida. A través de una poética de símbolos y motivos, trazó en términos personales la odisea de una enfermedad que simultáneamente provocó miedo, confusión y pánico.

Americas Society, en Nueva York, presenta hasta el 3 de febrero de 2018 José Leonilson: Empty Man, la primera exhibición individual en Estados Unidos de una de las figuras más destacadas del arte contemporáneo brasileño, bajo la curaduría de Cecilia Brunson, Gabriela Rangel y Susanna V. Temkin, con la cooperación del Projeto Leonilson.

«La práctica de Leonilson abordó la cuestión del arte como un ejercicio de introspección. Es un ejercicio artístico hipnótico, ya sea esbozado, pintado, ilustrado o bordado. Sus símbolos evolucionan hacia un vocabulario que puede articular el amor, el aislamiento, el género, la sexualidad, en definitiva, hila una reconciliación con la idea de su muerte», dice la curadora independiente Cecilia Brunson. «Quizás debido a su tendencia introspectiva -el ADN que destila en su ‘diario’- Leonilson se resistió a ser encasillado en la llamada Generación de los 80 en Brasil, a pesar de haber estado estrechamente asociado con su éxito meteórico».

Vista de la exposición "José Leonilson: Empty Man", en Americas Society, Nueva York, 2017. Foto: Beatriz Meseguer. Cortesía: Americas Society

La exposición muestra un conjunto de obras de los últimos tres años de su vida, así como otras de sus inicios marcadas por el lenguaje experimental potente y maduro que desarrollaría en el transcurso de su vida. «La subjetividad descarnada y el lenguaje auto referencial del trabajo de Leonilson construyeron un mito artístico que trascendió la construcción de una mera crónica de la epidemia del SIDA», dice la Directora de Artes Visuales y Curadora en Jefe de Americas Society, Gabriela Rangel. «Su obra amplió el lenguaje de la pintura para descentrarse y deslastrarse de nociones de género, invitando al espectador a compartir el ámbito de su intimidad transgresora».

Su interés por la cultura global se refleja en la diversidad de sus fuentes, que van desde la obra del brasileño Arthur Bispo de Rosario a la estética del grupo religioso Shaker, así como por su conocimiento de los idiomas.

«Una de sus primeras pinturas, que está incluida en la exhibición, es Pescador de Palavras [Pescador de palabras], una alusión a su propia persona como estudioso del lenguaje. A la manera de un coleccionista, Leonilson reunió palabras, letras de canciones y aforismos, a menudo combinando lenguajes, rompiendo las reglas gramaticales y experimentando con los sonidos», afirma Susanna Temkin, curadora asistente de Americas Society. «Hoy en día, estos juegos de palabras con una fuerte carga emocional siguen permitiendo que su voz hable desde sus pinturas y bordados, revelando el humor irónico y el pathos estoico de sus últimos años».

José Leonilson: Empty Man presenta más de 50 obras, incluyendo dibujos, pinturas y bordados, así como documentos de instituciones tanto públicas como privadas de Brasil y Estados Unidos. Con énfasis en la producción del artista entre mediados de los años ochenta hasta su muerte en 1993, la exhibición presenta su lenguaje idiosincrático, que combinó textos íntimos con un léxico iconográfico distintivo.

La exposición está acompañada de una publicación editada por Karen Marta y Gabriela Rangel, diseñada por Garrick Gott y con ensayos de las curadoras, así como textos de investigadores invitados como Jenni Sorkin (University of California, Santa Barbara), Luis Enrique Pérez Oramas (escritor e historiador de arte) y Yuji Kawasima (Universidad Complutense, Madrid, España). La publicación reúne material de archivo además de las exhibiciones del artista y la bibliografía sobre su obra.

José Leonilson, Puros e duros, 1991, 26 x 21 x 1.7 cm., bordado y piedras sobre tela. Colección Los Angeles County Museum of Art. © Projeto Leonilson Foto: Romulo Fialdili
José Leonilson, As ruas da cidade, c. 1988, 200 x 95 cm., pintura acrílica sobre lienzo sin montar. Colección de Charlo Whately © Projeto Leonilson. Foto: Rubens Chiri
Vista de la exposición "José Leonilson: Empty Man", en Americas Society, Nueva York, 2017. Foto: Beatriz Meseguer. Cortesía: Americas Society

Na década de 80, quando as ondas de choque geradas pela AIDS abalava várias comunidades do mundo, o artista brasileiro José Leonilson (1957-1993) adaptou o discurso politico em torno da epidemia, transformando-o numa meditação metafísica. O trabalho do artista oferece um panteão de símbolos, poesia e estampas, traçando, em termos muito pessoais, a odisseia de uma doença que provocou simultaneamente medo, confusão e pânico.

A Americas Society tem o prazer de apresentar José Leonilson: Empty Man, a primeira exposição individual nos Estados Unidos de uma das principais figuras da arte contemporânea brasileira. Com curadoria de Cecilia Brunson, Gabriela Rangel e Susanna V. Temkin, José Leonilson: Empty Man estará em exposição na Society’s Art Gallery de 27 de setembro de 2017 a 3 de fevereiro de 2018.

O universo mítico de Leonilson constrói uma narrativa existencial em torno de sua própria sina, e essa intimidade atemporal ressoa de forma ainda mais forte no contexto de uma doença frequentemente caracterizada por perdas. “Em sua obra, Leonilson abordou a questão da arte como um exercício de introspecção. É fascinante. Seus símbolos, sejam eles esboços, pinturas, ilustrações ou bordados, evoluem para um vocabulário que pode articular amor, isolamento, gênero, sexualidade e, em última instância, uma reconciliação com a ideia da morte”, descreve a curadora independente Cecilia Brunson. “Talvez por causa dessa jornada pessoal — o próprio DNA no centro de seu ‘diário’ — ele resistiu à ideia de ser agrupado com a chamada Geração dos 80 no Brasil, apesar de ter sido estreitamente associado ao sucesso meteórico desse grupo”.

A exposição abre com as obras mais maduras de Leonilson, produzidas nos últimos três anos de sua vida, e apresenta a trajetória do seu mundo interior retrospectivamente. Como escreveu o poeta T.S. Eliot: “No meu início está o meu fim”, e “no meu fim está o meu começo”. Ao seguir por este caminho, o espectador pode recapitular o princípio de Leonilson com a ajuda do léxico maduro que ele desenvolveu ao longo de sua vida. “A subjetividade crua e auto-exposta de Leonilson construiu um mito artístico duradouro que transcendeu uma mera crônica da epidemia de AIDS”, diz a Diretora de Artes Visuais da Americas Society e sua principal curadora Gabriela Rangel. “Sua obra expandiu o idioma da pintura, tornando-o descentralizado, sem gênero, e convidando o espectador a compartilhar sua intimidade transgressiva”.

Durante sua vida, a obra de Leonilson foi frequentemente exibida no exterior e ele viajou várias vezes para Amsterdã, Madri, Nova York e Paris. Seu apetite sagaz pela cultura global é refletido na diversidade de suas fontes de inspiração, que vão de Arthur Bispo de Rosario à estética de Shaker, bem como em seu conhecimento e domínio de diversas línguas. “Uma das primeiras pinturas na nossa mostra é Pescador de Palavras de Leonilson, que representa a personalidade do próprio artista como um conhecedor das línguas. Como um bom colecionador, Leonilson reuniu palavras, letras de músicas e aforismos, muitas vezes combinando idiomas, rompendo regras de gramática e experimentando sons”, diz Susanna Temkin, curadora assistente da American Society. “Hoje, esses trocadilhos e frases altamente eficazes continuam permitindo que sua voz seja ouvida através de suas telas e bordados, revelando o humor irônico e o páthos estoico de seus últimos anos.”

A mostra José Leonilson: Empty Man apresenta cerca de 50 obras, incluindo desenhos, pinturas e bordados, bem como documentos emprestados de instituições públicas e coleções privadas no Brasil e Estados Unidos. Com foco na produção do artista que data de meados da década de 80 até a sua morte em 1993, a exposição destaca sua linguagem idiossincrática totalmente desenvolvida, na qual ele combinou um léxico iconográfico singular com texto íntimo. A mostra é organizada pela curadora independente Cecilia Brunson; Gabriela Rangel, diretora de Artes Visuais da Americas Society e sua principal curadora; e a curadora assistente Susanna V. Temkin, com a colaboração do Projeto Leonilson, de São Paulo.

A mostra José Leonilson: Empty Man será acompanhada de um novo livro ilustrado editado por Karen Marta e Gabriela Rangel. O livro, desenhado por Garrick Gott, contará com ensaios dos curadores da mostra, bem como textos dos acadêmicos convidados Jenni Sorkin (Universidade da Califórnia, Santa Barbara), Luis Enrique Pérez Oramas (escritor e historiador de arte) e Yuji Kawasima (Universidade Complutense, Madri, Espanha). A publicação incluirá documentos de arquivo, um histórico de exposições e uma bibliografia, além de um trecho da entrevista da curadora brasileira Lisette Lagnado com o artista, publicado pela primeira vez no livro de 1995, São Tantas as Verdades.

Vista de la exposición "José Leonilson: Empty Man", en Americas Society, Nueva York, 2017. Foto: Beatriz Meseguer. Cortesía: Americas Society

In the 1980s, when the world was reverberating from the shockwaves sent by AIDS, Brazilian artist José Leonilson (1957–1993) adapted the political discourse of the epidemic into a metaphysical rumination. His work offers a pantheon of symbols, poetics, and patterns, charting in personal terms the odyssey of a disease, which simultaneously sparked fear, confusion, and panic.

Americas Society is pleased to present José Leonilson: Empty Man, the first solo exhibition in the United States of one of Brazil’s leading figures of contemporary art. Curated by Cecilia Brunson, Gabriela Rangel, and Susanna V. Temkin, José Leonilson: Empty Man will be on view at the Society’s Art Gallery September 27, 2017 through February 3, 2018.

Leonilson’s mythical universe constructs an existential narrative around his own predicament, and this timeless intimacy doubly resonates in the context of a disease characterized so often by losses. “Leonilson’s practice tackled the question of art as an exercise of introspection. It is mesmeric. Whether sketched, painted, illustrated, or embroidered, his symbols evolve into a vocabulary that can articulate his love, isolation, gender, sexuality—ultimately, a reconciliation with the idea of his death,” describes independent curator Cecilia Brunson. “Perhaps because of this personal journey—his own DNA at the core of his ‘diary’—he resisted being grouped with the so-called 80s Generation in Brazil, despite having been associated closely with its meteoric success.”

The exhibition opens with Leonilson’s most mature works from the last three years of his life and presents the trajectory of his interior world backwards. As the poet T.S. Eliot, wrote: “In my beginning is my end, and in my end is my beginning.” By following this path, the viewer can recapitulate Leonilson’s beginnings through the lens of the mature lexicon that developed over the course of his life. “José Leonilson’s raw, self-exposed subjectivity constructed an enduring artistic myth that transcended a mere chronicle of the AIDS epidemic,” says Americas Society Visual Arts Director and Chief Curator Gabriela Rangel. “His work expanded the language of painting to become decentered without gender and inviting the viewer to share his transgressive intimacy.”

During his lifetime, Leonilson’s work was frequently exhibited abroad and he traveled numerous times to Amsterdam, Madrid, New York, and Paris. His savvy taste for global culture is reflected in the diversity of his sources, which range from Arthur Bispo de Rosario to Shaker aesthetics, as well as in his knowledge and proficiency for languages. “One of the earlier paintings in our show is Leonilson’s Pescador de Palavras (Fisher of Words), a surrogate for his own persona as a connoisseur of language. Like a collector, Leonilson gathered words, song lyrics, and aphorisms, often combining languages, breaking grammar rules, and experimenting with sounds,” said Americas Society’s Assistant Curator Susanna Temkin. “Today, these puns and highly effective phrases continue to allow his voice to speak from his canvases and embroideries, revealing his wry humor and the stoic pathos of his final years.”

José Leonilson: Empty Man features around 50 works, including drawings, paintings, and embroideries, as well as documents borrowed from public institutions and private collections in Brazil and the United States. Focusing on the artist’s production dating from the mid-1980s until his death in 1993, the exhibition will showcase his fully developed idiosyncratic language in which he combined a distinct iconographic lexicon with intimate text. The show is organized by independent curator Cecilia Brunson, Americas Society’s Visual Arts Director and Chief Curator Gabriela Rangel, and Americas Society’s Assistant Curator Susanna V. Temkin, with the cooperation of the São Paulo-based Projeto Leonilson.

José Leonilson: Empty Man will be accompanied by a forthcoming illustrated publication edited by Karen Marta and Gabriela Rangel. The book, designed by Garrick Gott, will feature essays by the show’s curators, as well as texts by invited scholars Jenni Sorkin (University of California at Santa Barbara), Luis Enrique Pérez Oramas (writer and art historian), and Yuji Kawasima (Universidad Complutense, Madrid, Spain). The publication will include archival documents and an exhibition history and bibliography.

Vista de la exposición "José Leonilson: Empty Man", en Americas Society, Nueva York, 2017. Foto: Beatriz Meseguer. Cortesía: Americas Society
Vista de la exposición "José Leonilson: Empty Man", en Americas Society, Nueva York, 2017. Foto: Beatriz Meseguer. Cortesía: Americas Society

JOSÉ LEONILSON: EMPTY MAN

Americas Society, Nueva York

Hasta el 3 de febrero de 2018