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Galeria Leme, en São Paulo, presenta la sexta edición del proyecto SITU con una instalación site-specific de la artista chilena Pilar Quinteros. Curada por Bruno de Almeida, la intervención continúa una investigación sobre las formas de pensar y discutir la producción del espacio urbano, a través de una secuencia de obras realizadas en los exteriores de la galería que establecen una relación estrecha con su edificio -diseñado por el arquitecto Paulo Mendes da Rocha, en colaboración con la oficina Metro Arquitetos-, así como el espacio público contiguo.

El proyecto de Pilar Quinteros parte de una reflexión sobre la historia del edificio de la galería. Construido inicialmente en el 2004, éste fue demolido unos años más tarde, en 2011, como resultado de las dinámicas urbanas que culminaron en la compra de su terreno por una empresa multinacional. Después de varias negociaciones, la galería fue reconstruida en otro lote a pocos metros de su ubicación original, partiendo de su diseño inicial. Así, el edificio actual es una réplica del primero, al que se añadió una construcción adyacente. La «clonación», desplazamiento y expansión de este edificio problematizan la frontera entre la reproducibilidad y la singularidad de la obra arquitectónica, así como la idea de la inseparabilidad conceptual y material entre el proyecto y las características específicas del contexto urbano para el que fue diseñado.

Pilar Quinteros, "Friends of Perpetual Movement", 2017. Vista de la intervención en Galeria Leme, Sao Paulo. Foto cortesía de Proyecto SITU

Reflexionando sobre estos aspectos, Quinteros desarrolló una investigación sobre edificios replicados, desplazados o nómadas, encontrándose con paralelismos improbables entre la Galeria Leme y uno de los principales símbolos arquitectónicos de la ciudad de São Paulo: la Estação da Luz. Desde 1867, esta estación ferroviaria ha sufrido cambios continuos y reconstrucciones: fue ampliada en 1870; reconstruida entre 1895 y 1901 (proyecto actual); destruida por un incendio en 1946; reconstruida entre 1947 y 1951; modificada entre 2004 y 2006 por los arquitectos Pedro y Paulo Mendes da Rocha; semidestruída por otro incendio en 2015; y en la actualidad está en proceso de reestructuración parcial hasta el 2018. Sus constantes reconstrucciones son parte de la biografía de la ciudad y de la memoria colectiva de sus habitantes.

Para el proyecto SITU, Quinteros creó una intersección simbólica de las historias de los edificios de Galeria Leme y la Estação da Luz, a través de una yuxtaposición arquitectónica. La artista suma a la construcción de Paulo Mendes da Rocha una torre de reloj similar a la de la estación paulista. La torre del reloj es un símbolo que se repite a través de la historia de la arquitectura mundial como un elemento de dominio y organización socio-espacial, no sólo por ser un punto de referencia visual, sino también porque, a través de su reloj, establece y comunica un sentido del tiempo público que de manera subliminal da pauta a los ritmos de la población.

La torre de la Estação da Luz fue, durante muchos años, el principal punto de referencia espacial y temporal de la ciudad, ya que su reloj, visible desde varios puntos de la ciudad, instituyó la hora oficial que todos los ciudadanos debían seguir. Pero la réplica construida por Pilar Quinteros parece negar esa referencialidad, subvirtiendo diversos aspectos de este elemento tan conocido: su posición no es fija, su materialidad no es permanente, su reloj está silenciado y su verticalidad ha sido negada.

Pilar Quinteros, "Friends of Perpetual Movement", 2017. Vista de la intervención en Galeria Leme, Sao Paulo. Foto cortesía de Proyecto SITU

A Galeria Leme apresenta a sexta edição do projeto SITU com a instalação site-specific comissionada à artista chilena Pilar Quinteros. Parte de um projeto maior, curado por Bruno de Almeida, esta edição dá continuidade a uma pesquisa sobre formas de pensar e discutir a produção do espaço (urbano), através de uma sequência de obras realizadas nos espaços externos da galeria que estabeleçam uma relação estreita com o seu edifício (projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha em colaboração com o escritório Metro Arquitetos) assim como com o espaço público contíguo.

O projeto de Pilar Quinteros parte de uma reflexão sobre a história do edifício da galeria. Construído primeiramente em 2004, este foi demolido poucos anos depois, em 2011, resultado de dinâmicas urbanas que culminaram na compra de seu terreno por uma empresa multinacional. Depois de várias negociações a galeria foi reconstruída num outro lote a poucos metros da sua locação original, seguindo o seu projeto inicial. Deste modo o edifício atual é uma réplica do primeiro, à qual foi adicionada uma construção adjacente. A “clonagem”, deslocamento e ampliação deste edifício problematizam a fronteira entre a reprodutibilidade e a singularidade da obra arquitetônica, assim como a ideia de inseparabilidade conceitual e material entre o projeto e as especificidades do contexto urbano para o qual foi pensado.

Refletindo sobre estes aspectos Pilar Quinteros desenvolveu uma pesquisa sobre edifícios replicados, deslocados ou nômades e se deparou com paralelos improváveis entre a galeria Leme e um dos principais símbolos arquitetônicos da cidade de São Paulo, a Estação da Luz. Desde 1867 a estação sofreu contínuas modificações e reconstruções; ampliada em 1870, reconstruída entre 1895 e 1901 (projeto atual), destruída por um incêndio em 1946, reedificada entre 1947 a 1951, modificada de 2004 a 2006, pelos arquitetos Pedro e Paulo Mendes da Rocha, semidestruída por outro incêndio em 2015 e atualmente em processo parcial de reestruturação até 2018. As suas constantes reconstruções fazem parte da biografia da metrópole e da memória coletiva de seus habitantes. Mas, apesar da sua presença imemorial e ligação intrínseca com a cidade, esta estação cruzou o Oceano Atlântico de navio, desmontada peça por peça, até chegar a São Paulo.

Presumivelmente escolhida a partir de um catálogo inglês, a estrutura metálica de ferro fundido que lhe dá sustentação foi trazida do Reino Unido, as suas telhas cerâmicas são de Marselha, França e a sua madeira é de pinho-de-riga Irlandês, apenas a sua alvenaria é de origem local. Este histórico trânsito mundial de materiais, componentes pré-fabricados, formas de fazer e estilos arquitetônicos desestabiliza, ainda hoje, a unicidade de projetos “icônicos” e a relação que estes têm com o seu contexto local. A Estação da Luz, por exemplo, partilha fortes similaridades (assim como peças estruturais pré-moldadas) com uma outra estação ferroviária, Flinders Street Station, construída no início do século XX na Austrália, também ela “única” no seu contexto.

Para o projeto SITU, Pilar Quinteros propõe uma intersecção simbólica das histórias dos edifícios da Galeria Leme e da Estação da Luz, através de uma justaposição arquitetônica. A artista adiciona ao edifício de Paulo Mendes da Rocha, uma torre de relógio semelhante àquela da estação paulistana. A torre do relógio é um símbolo que perpassa a história da arquitetura mundial como um elemento de domínio e organização sócio-espacial, não só por ser um ponto de referência visual mas também porque, através de seu relógio, institui e comunica uma noção de tempo público que pauta subliminarmente os ritmos da população. A torre da Estação da Luz foi, por muitos anos, o principal ponto de referência espacial e temporal da cidade, já que o seu relógio, visível de vários pontos da cidade, instituía a hora oficial que todos os cidadãos deveriam seguir. Porém a réplica construída por Pilar Quinteros parece negar essa referencialidade, subvertendo vários aspectos dados como adquiridos acerca deste elemento tão conhecido; a sua posição não é fixa, a sua materialidade não é permanente, o seu relógio está mudo e a sua verticalidade foi-lhe negada.

PILAR QUINTEROS: FRIENDS OF PERPETUAL MOVEMENT
Proyecto SITU, Galeria Leme, São Paulo
Curado por Bruno de Almeida
Hasta el 1 de julio de 2017